Estilistas, designers de joias e bijuterias, cabeleireiros, maquiadora e manequins sustentam um sofisticado desfile de moda que leva a assinatura de profissionais negros exercendo múltiplas funções no mundo fashion

Profissionais em destaque (a partir da esq.): Emanoel Reis, Angélica de Souza Santos, Quênia Lopes de Moraes, Dany Soares, Thais Pires, Fabíola Oliveira, Juliana Jesus, Ana Carolina Vasconcelos, Graci Felix e Allan Sabatini (alto da foto)

A turma da passarela: Dandara Albuquerque, Leh Morena, Shayana Baptista, Taiane Oliveira, Stefanie Durval, Anastácia Gabriel, Suelen Paiva, Joelci Pinto João, William Almeida, Tatiane Oliveira, Phelipe Lemos, Alex Marcelino, Marcela Colombo, Kaduh Novik, Cleverson Rodrigues, Rafael Ferreira, Dérik Machado e Diego Machado
Profissionais em destaque (a partir da esq.): Emanoel Reis, Angélica de Souza Santos, Quênia Lopes de Moraes, Dany Soares, Thais Pires, Fabíola Oliveira, Juliana Jesus, Ana Carolina Vasconcelos, Graci Felix e Allan Sabatini (alto da foto)
O cenário por si só já era paradisíaco. E a paisagem humana, mais fashion e linda, impossível. Estas foram as primeiras impressões registradas pelos que acompanharam o bater de saltos na passarela montada no Centro Cultural Parque das Ruínas, no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro. E os que foram assistir à primeira edição do Projeto Talentos Black Moda Afro viram um espetáculo que, além de muito chique, tinha a marca do “politicamente correto”, digamos assim. Mais do que manequins negros e negras – já raros no circuito de moda – o projeto idealizado pela produtora cultural Emanuele Sanuto, de 26 anos, deu oportunidade a outros profissionais afrodescendentes de mostrar como podem mover, exercendo diferentes funções, as engrenagens de um desfile de moda de alto nível.
SÃO ARTISTAS ESPECIALIZADOS NAS FUNÇÕES DE PRODUÇÃO DE TRANÇAS E PENTEADOS, ESTILISMO, MAQUIAGEM, ALÉM DE ARTESÃS”
Emanuele Sanuto, produtora cultural responsável pelo Talentos Black Moda Afro |
Na passarela, o que se viu foi o trabalho de estilistas, designers de joias, maquiadores e cabeleireiros – selecionados numa competição etnicamente justa, que acabou por estabelecer um tipo de “cota” para os negros no mundo fashion –, todos felizes com a oportunidade aberta pela jovem produtora cultural que ousou dar asas à imaginação, aterrissando com um sonho. “Esse desfile surgiu de uma ideia que eu tinha desde os meus 15 anos. Sempre tive a intenção de valorizar a cultura afro e divulgar, ao mesmo tempo, novos talentos”, conta Emanuele.
Segundo ela, o Talento Black Moda Afro visa descobrir artistas afrodescendentes ainda anônimos, viabilizando a divulgação de suas criações artísticas para o mercado de trabalho. Trata-se de uma iniciativa para fomentar a cultura afro e propiciar a inclusão social e o enriquecimento cultural da cidade do Rio de Janeiro que recentemente foi escolhida pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade. “Com esta proposta de descobrir jovens talentos negros no mercado de trabalho, selecionamos, entre eles, aqueles que seriam os pilares fundamentais da estruturação desta nossa movimentação cultural.
São artistas especializados nas funções de produção de tranças e penteados, estilismo, maquiagem, além de artesãs”, conta. Entre os vários candidatos, foram escolhidos, por uma comissão técnica, 10 profissionais para participar deste primeiro evento: quatro estilistas, três cabeleireiros, duas artesãs e uma maquiadora. A apresentação ficou por conta de Alexandre Henderson.
A modelo Anastácia Gabriel usa look criado por Juliana Jesus e penteado de Emanoel dos Reis |
NOVAS OPORTUNIDADES
“Achei a iniciativa muito boa, está possibilitando que novos talentos ‘coloquem a cara’ onde antes não aparecíamos. É uma galera que não se via em desfiles famosos, não se via negros como estilista ou maquiador, negros como a peça mais importante do desfile”, disse o jovem Emanuel Reis, de 18 anos, que possui em sociedade um salão e um site voltados para moda e comportamento da mulher negra, ambos com o nome de Trança Nagô. No evento ele adornou a cabeça dos modelos com tranças nagô (look dos mais etnicamente corretos e belos). Seu colega de profissão, quando o assunto são madeixas negras, Allan Sabattini, de 22 anos, era um entusiasmo só: “Vejo esse projeto como uma forma de novas oportunidades. Primeiro que é direcionado a jovens negros e, segundo, que é amplo e contempla várias categorias de profissionais que atuam na moda. Como eu voltei agora a trabalhar com cabelo, me sinto lisonjeado em participar. Espero que a partir dele muitas portas sejam abertas. Assim como eu estou voltando, tem uma galera que é das antigas e precisa de oportunidade e de visibilidade.”
“Achei a iniciativa muito boa, está possibilitando que novos talentos ‘coloquem a cara’ onde antes não aparecíamos. É uma galera que não se via em desfiles famosos, não se via negros como estilista ou maquiador, negros como a peça mais importante do desfile”, disse o jovem Emanuel Reis, de 18 anos, que possui em sociedade um salão e um site voltados para moda e comportamento da mulher negra, ambos com o nome de Trança Nagô. No evento ele adornou a cabeça dos modelos com tranças nagô (look dos mais etnicamente corretos e belos). Seu colega de profissão, quando o assunto são madeixas negras, Allan Sabattini, de 22 anos, era um entusiasmo só: “Vejo esse projeto como uma forma de novas oportunidades. Primeiro que é direcionado a jovens negros e, segundo, que é amplo e contempla várias categorias de profissionais que atuam na moda. Como eu voltei agora a trabalhar com cabelo, me sinto lisonjeado em participar. Espero que a partir dele muitas portas sejam abertas. Assim como eu estou voltando, tem uma galera que é das antigas e precisa de oportunidade e de visibilidade.”
A maquiadora Dani Soares, de 29 anos, fez questão de lembrar que, no Brasil e no mundo inteiro, não se vê um desfile voltado para a raça negra. “E esse projeto abriu as portas para nós mostrarmos o nosso talento e que o negro também é capaz de ir a uma passarela e ‘causar’, ser bonito. E a maquiagem tem que mostrar isso, a beleza de cada um, das mulheres e dos homens negros”, disse.
Nando Cunha (ator). Criação de Juliana Jesus Dandara Albuquerque desfila a moda da estilista Graci Félix. O cabelo ficou por conta de Quênia Lopes Na passarela, Rafael Ferreira abusa da criatividade em look de Juliana Jesus |
Diego Machado é 2º Mestre-Sala da Vila Isabel e no evento desfilou o estilo de Thais Pires Destaque para a modelo Aretha Alves, com criação de Juliana Jesus e penteado de Allan Sabatini |
REALIZAÇÃO PROFISSIONAL
Fabíola Oliveira, de 28 anos, deu uma pausa em suas atividades como educadora para se dedicar com exclusividade à marca de bijuterias Colares D’Odarah. “Trabalho com estética africana e com colares, e, com esse meu trabalho como design de jóias, posso aliar a minha profissão de historiadora de África e tentar traduzir isso nas peças. É uma oportunidade ímpar para colocar a gente ‘na cena’, para o nosso nome começar a circular no mercado”, diz, sobre a importância do evento.
Fabíola Oliveira, de 28 anos, deu uma pausa em suas atividades como educadora para se dedicar com exclusividade à marca de bijuterias Colares D’Odarah. “Trabalho com estética africana e com colares, e, com esse meu trabalho como design de jóias, posso aliar a minha profissão de historiadora de África e tentar traduzir isso nas peças. É uma oportunidade ímpar para colocar a gente ‘na cena’, para o nosso nome começar a circular no mercado”, diz, sobre a importância do evento.
Ainda segundo Fabíola, a possibilidade de produzir um desfile a várias mãos foi um exercício muito importante, em vários aspectos. “O primeiro deles é você pensar em adequar, criar livremente, mas também ter uma supervisão. Isso pra gente que está saindo da cena anônima e indo para a profissionalização, é necessário. Mas também temos a possibilidade de criar, ver o resultado, as pessoas aplaudindo o nosso trabalho, se interessando e querendo saber sobre ele. Foi uma realização profissional muito grande nos sentirmos importantes como homens e mulheres negros. Somos uma sociedade que fecha portas e, hoje, nós mesmos, estamos nos abrindo portas”, comemorou.
Outra profissional agraciada pelo processo seletivo que antecedeu o projeto foi a estilista Graci Feliz, de 29 anos. Ela é filha de pais ativistas do movimento negro. “A gente acha que o negro já está em ascensão e, na verdade, é muito difícil conseguir aliar essa coisa da moda brasileira e de outros países, pegar jovens talentos que ainda não conseguiram adentrar no mercado da moda brasileira e manter isso como uma resistência negra sem ser piegas, sem maltratar ou estigmatizar”, opina. Para ela, além de ter essa temática ‘racial’, o projeto é importante porque traz pessoas da Baixada Fluminense e da periferia do Rio de Janeiro. “O que a gente acha de negros e para negros hoje na moda é pura tendência, virou uma tendência. A maquiagem é outra, não é aquele referencial para a pele branca. Então o projeto veio pra mudar um pouco da história de inserir jovens nesse mercado”, conclui.
1º Mestre Sala da Imperatriz Leopoldinense, Phelipe Lemos apresentou look das estilistas Graci Félix e Thais Pires Stefanie Durval desfilou outra criação de Graci Félix. O penteado é de Emanoel dos Reis Alex Marcelino - 1º mestre-sala do Império Serrano - Estilista Thais Pires |
A turma da passarela: Dandara Albuquerque, Leh Morena, Shayana Baptista, Taiane Oliveira, Stefanie Durval, Anastácia Gabriel, Suelen Paiva, Joelci Pinto João, William Almeida, Tatiane Oliveira, Phelipe Lemos, Alex Marcelino, Marcela Colombo, Kaduh Novik, Cleverson Rodrigues, Rafael Ferreira, Dérik Machado e Diego Machado
Produtora: Emanuele Sanuto Fotos: Augusto Baptista Make: Danny Soares Cabelos: Emanoel Reis,Quênia Lopes e Allan Sabatini Acessórios:Angélica Guizino A Quixotesca (cabeças e pulseiras) e Colares D'Odarah Estilistas: Graci Félix, Juliana Jesus,Thais Pires e Ana VasconcelosColares: Fabiola Oliveira Apoio: Retalhos Carioca (sandálias baixas) Bárbara Malhano (sandálias altas)




